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A fragilidade das nossas expectativas sobre o tempo (2)

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Como eu falei no post anterior, há experiências ou sentimentos que suscitam em nós uma lucidez em relação às expectativas, e, paralelo a isso, revelam a nossa não-identificação com o que se manifesta espaço-temporalmente.

Através da Antropologia Filosófica, nós encontramos respostas para determinadas concepções que nós conhecemos, mas nem sempre tomamos como verdadeiras e, por isso, precisamos reconhecê-las.

Essas experiências – usei o tédio na postagem anterior como exemplo – fazem com que admitamos a finitude. Bem, eu me utilizei dos críticos do Iluminismo – especialmente Nietzsche – para fornecer uma resposta sobre o tempo. E agora explico melhor o motivo de tê-los escolhido.  É que na modernidade, os homens estavam começando a olhar para si mesmos, isto é, pela primeira vez eles tomaram a si mesmos como objetos. Nesse sentido, a subjetividade, em linhas gerais, era apenas entendida a partir de uma análise de si mesmo; no iluminismo, esse “antropocentrismo” tomou proporções maiores e a razão humana foi compreendida como pressuposto indispensável para se atingir a verdade.

O problema com esse pressuposto, contudo, se apresentou quando os homens começam a perceber que a razão é finita – por isso foi feita a referência aos que feriram narcisicamente a sociedade.

O Pondé fez uma consideração bem interessante no programa a Invenção do Contemporâneo, quando ele dissertou sobre O Tempo Sagrado e O Tempo Profano. Segundo ele, os modernos achavam que a razão era capaz de organizar o sentido do mundo, enquanto nós, os “pós-modernos”, estamos numa espécie de ressaca da razão, onde a instância geradora de significado é justamente o luto da razão. O homem de hoje seria mais ou menos assim: “pensei, organizei, raciocinei, senti dor, blablabla… e o sentido não apareceu!” Ele fala uma coisa mais interessante ainda, que é justamente o fato de que esses postulados ou pressupostos admitidos pelos homens nunca se sustentam, o que acaba por gerar um ceticismo, que, de acordo com ele, são o garfo e a faca, ou,  instrumentos usados por qualquer pessoa que não queira comer com as mãos e babando.

Mas, deixando o Pondé de lado e voltando à idéia principal. O problema dos modernos, além desse pressuposto ser falho, é que eles não consideraram que ser sujeito significa não só ser dominador (eu sou sujeito de algo), mas também dominado (eu estou sujeito a algo). O sujeito é um indivíduo que vive inevitavelmente em relações de troca com os outros e nessas relações a sua subjetividade tanto é criativa ou criadora como é influenciada pelos meios em que está inserida. O tempo é apenas uma dessas questões que são levantadas em virtude de uma busca por entendimento dos indivíduos. Portanto, é “subjetivo” e não algo que possa ser apreendido de forma especificamente objetiva. Não é à toa que Kant não considerou o tempo em si mesmo, mas como uma intuição interna.

Essas noções um tanto quanto imprecisas de niilismo, quebra da razão, desvirtuamento do valor da transcendência, etc. , mas que parecem apreender as nossas intuições,  são basicamente isso: uma tentativa de reconhecimento naquilo que vivenciamos, naquilo que produzimos, naquilo que contemplamos.

A inserção da tecnologia nas nossas vidas e a influência que ela exerce sobre nós é inevitável, bem como a modificação nas nossas relações e nas nossas impressões sobre as relações. É o sujeito evidenciado nos dois sentidos: dominador e dominado.

Continua…
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