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A fragilidade das nossas expectativas sobre o tempo (3)

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Uma das maiores características dessa nossa “fragilidade” em relação às expectativas sobre o tempo se dá na esfera social. A ruptura com essa fragilidade ocorre quando o homem recusa a teleologia, a metafísica, enfim, essas posturas gerais que defendem fundamentos últimos.

Para Nietzsche e para Marx as coisas pareciam bem claras: esses argumentos apenas visam o adestramento de consciências e corpos. E, por outro lado, estacionar nessas condições em que nós encaramos a nossa fragilidade também é perigoso, circunstâncias como o tédio, o medo, o niilismo só tendem a aprisionar a potência do homem.

O esloveno Zizek faz uma consideração interessante sobre isso, em relação ao proletariado. Aliás, pelo menos a lógica dessa estrutura atinge mais o proletariado. Mas, enfim, ele afirma que o proletariado não seria só o proletariado do corpo, o trabalhador pobre, explorado, massacrado pelo capital; a libertação – desse aprisionamento social – refere-se também ao proletariado da mente, aquele cuja subjetividade é moldada em função desses pressupostos do espetáculo. E diz mais – talvez esses insights do esloveno se dão porque o sujeito é chegado à sétima e outras artes – : que nós, os pós-modernos, podemos ser considerados como mortos-vivos ou vampiros, indivíduos sem libido.

O problema é que sempre passamos pela fundação de valores, e valores que obrigatoriamente requerem um determinado tempo – o tempo que pode ser considerado como uma reforma ou como uma revolução, que são duas coisas bem diferentes.

De todo modo, o tempo é uma série de eventos com o qual munimos a nossa mente, um conjunto de impressões sobre as vivências e que, apesar de sempre captarmos o seu sentido intuitivamente ou “imediatamente”, ele, de alguma forma, fundamenta a nossa subjetividade. A consciência disso pode ser decisiva quando temos em mente o aspecto social que, por sua vez, é conseqüência de um estado pensado por algum(ns) indivíduo(s).

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