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Ainda o ateísmo…

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Vi aquelas “Fitas do Ateísmo”, que resultam de um documentário produzido pela BBC chamado  “Breve história da descrença”.  Gostei tanto das fitas que postei até no Café.

A entrevista do Daniel Dennett é excelente! O Dennett tem uma maneira de se expressar muito boa, ele é um cientista que consegue se comunicar com a massa, tem carisma, mas, ao mesmo tempo, tem aquele olhar distante, de quem conhece sobre o que disserta e por isso mesmo não ignora os limites da sua fala, ou seja, é cuidadoso. É aquela maturidade que muitos, apesar da experiência, não conseguem desenvolver em seu discurso.

É interessante perceber que essas “simples” descrições fornecidas por algumas ciências conseguem ser extremamente frutíferas. Em contraponto aqueles campos que julgam ter um acesso especial à realidade e, com suas pobres definições, só conseguem fazer projeções – algo perigoso. O Dennett analisa as questões que lhe são postas exatamente da mesma maneira na entrevista. Por isso, acredito eu, que muitas dessas pessoas que querem uma “profundidade” maior, ao se depararem com materiais assim – me refiro ao trabalho de cientistas como o Dennett -, enxergam uma falta de “embasamento” em determinadas análises. É como se a vaidade humana fosse ferida. Algo digno de nota é a explicação que ele dá para o perigo da fé, ao diferenciar a crença na fé em Deus da fé em Deus, pois, segundo ele, enquanto a primeira é mais comum  – algo que pode ser “entendido”, ao meu ver,  como tendência à espiritualidade – e, portanto, justificável, a segunda é mais perigosa, pois leva à loucura – como qualquer outra ideologia, mas numa dose muito maior.

Queria ser aluna dele. Ele parecer ser um professor que não faz chacota, não faz aquelas piadas já batidas com religiosos, mas, para quem consegue ter uma observação um pouco mais clara das pessoas, já percebe que ele carrega consigo um riso, que está prestes a surgir, mesmo que moderado, contido, quando a ingenuidade latente de seus interlocutores resolve dar as caras. Ele não ataca a religião simplesmente por atacar, mas tem honestidade suficiente para dizer seriamente, e se necessário,   que “algumas pessoas pensam que a religiosidade é um viagra moral”.

Além de tudo isso, o sujeito estuda as questões relativas à consciência. Não falei aqui no blogue, mas penso que a Filosofia da Mente e a Analítica – especialmente a Linguagem – são as áreas mais brilhantes e que mais geram frutos dentro da Filosofia atualmente. Desejo muito estudar Filosofia da Mente, mas não agora, pois não tenho condições. É isso.

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  1. He will be Bach

    Ao som de: [o inominável]

    Como escrevi nO Hermenauta, adoro um aforismo do Mário Quintana: “Milagre não é a fé mover montanhas ou reviver os mortos. Milagre é acreditarem nisso tudo!”

    E por que isso é Dostoiévski resumido em uma linha?

    Porque no capítulo “Rebeldia”, do épico contemporâneo Os Irmãos Karamázovi, Ivan, o grande antagonista do próprio Dostoiévski, satiriza Xenófanes dizendo: “se o diabo existe, o homem o criou à sua imagem e semelhança”. E, mais adiante, complementa que, dadas as gigantescas atrocidades perpetradas ao longo da história da humanidade, o grande milagre é que tenha sido possível a idéia de um Deus todo-bondade, um ente de puro amor – e, aqui, ele parece referir-se mais especificamente a Jesus. Realmente, depois de ler as histórias que ele colecionou, noticiando inúmeros e asquerosos casos de torturas contra crianças, parece difícil acreditar que a humanidade tenha sido capaz de dizer que ela é a imagem e semelhança de uma entidade puramente boa.

    E, de passagem, você parece ter cutucado especificamente o Dawkins neste post? Ou é impressão minha?

  2. Não é impressão! É verdade. Mas ficou implícito, porque eu queria mesmo era elogiar o Dennett.

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